SEMEAR COM LÁGRIMAS


Semear com lágrimas é
semear sem ver a colheita.
Não há como semear, senão com lágrimas,
porque a semeadura precede a colheita.
Ah esta é a ordem: primeiro a semeadura,
depois a colheita.

Ouço diretores de empresas reclamarem
de jovens que já querem começar pelo topo,
indo logo para a colheita, sem passar pela semeadura.
Semear chorando é semear sem saber que vai colher,
até mesmo contra a esperança de colher, como quem
lança pão sobre as águas (Eclesiastes 11.1).

Semeia assim aquele para quem plantar faz parte do
seu estilo de vida. Não importa se valerá a pena ou
não: ele planta.
Semear com lágrimas é semear colocando no solo o grão
que falta para a boca hoje. É passar fome hoje para
ter amanhã.

É acordar de madrugada, contra a vontade,
para estudar, para trabalhar, para preparar a marmita
que talvez esteja fria na hora do almoço.
É saber que a vida é feita de esforço.
Semear chorando é viver de um modo em que não há vergonha
nas suas práticas. É viver não para ser reconhecido em
seu valor, mas viver de tal modo que será reconhecido.

Lembro de uma professora do ensino médio cuja vida deu
muitas voltas. Ela deu aulas por muito tempo em escolas
particulares da sua cidade, o Rio de Janeiro.
Sua vida e a de seus alunos seguiram seus naturais cursos.
Suas filhas cresceram e alcançaram a universidade.
Para o bem delas, a família voltou ao Rio de Janeiro, mas
sem emprego. Através de uma comunidade no Orkut, voltou a
ter contato com vários de seus alunos.

Um deles, empresário, lhe perguntou se precisava de algo e,
mais tarde, lhe deu um emprego, ofereceu trabalho para uma
de suas filhas e lhe alugou uma casa em condições muito
favoráveis.
Este seu aluno disse que jamais poderia esquecer
a atenção que recebeu quando era estudante.
Essa professora semeou; muitos anos depois, colheu; ela não
plantou para colher, mas plantou e colheu. Ela viveu de um
modo que gerou gratidão.

Semear com lágrimas é para quem sabe que a vida é feita
de lágrimas e sorrisos, de insônias e sonos, de sonhos e
frustrações, de sombra e luz, de vales e montanhas, de
medo e paz, de derrotas e vitórias. Ninguém chega ao topo
da montanha, se não subir e ninguém sobe sem suar, sem se
perder, sem se cansar, sem tropeçar.

Ninguém atravessa o rio, se não nadar ou tomar um barco.
Ninguém chega ao seu destino, se não fizer a viagem.
Ninguém terminará de ler um livro, se não o vencer página
por página.
Ninguém construirá uma casa, se não puser tijolo após tijolo
na obra. Ninguém formará uma biblioteca, se não colocar nela
livro por livro.

Ninguém participará da sua própria formatura (num curso)
ou passará num concurso, se não faltar a festas, deixando sua
rotina alegre para construir uma outra rotina sisuda dominada
pelo verbo estudar. Ninguém colherá, se não plantar.
Ninguém alcançará uma coisa, se não abrir mão de muitas coisas.
Semear chorando é plantar sabendo que não há missão impossível,
mas missão a ser realizada, porque Deus faz convergirem as coisas
para aqueles que O amam.

Só então haverá júbilo, sim, o cântico da colheita será entoado
“só quando a cansativa semeadura tiver sido completada e os campos
estiverem maduros para a colheita.
É neste ponto que nos encontramos no plano perfeito de Deus”.

Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor.
Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra,
aguardando-o com paciência, até que receba a chuva
temporã e serôdia.
Tiago 5:7

Semear com lágrimas é fazer o que precisa ser feito e consagra-lo
a Deus, no sentido de feito para Deus.

Israel B.Azevedo

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