O SOFÁ ROSA II

“Permita que suas esperanças,
não as suas feridas,
modelem seu futuro”.
(Robert H. Schuller)

Numa noite, quando Sílvia Regina estava exausta,
sedenta, faminta e drogada, recostada numa parede
rente ao chão, mãos femininas tocaram seu corpo.
Quando se virou para ver quem era,
a jovem a abraçou e gritou:
— Te peguei.
Era Fernanda.

O abraço desmantelou a ex presidiária.
No seu íntimo, Sílvia Regina ficou perplexa:
— O que leva uma moça desta a abraçar uma
mulher suja, por dentro e por fora, como eu?

Fernanda levou Sílvia Regina para uma casa,
onde tomou banho e uma sopa, mas não quis ficar.
Várias outras vezes, Fernanda procurou por Sílvia,
oferendo lhe esperança, mas a mulher não queria.

Um dia, Sílvia Regina viu passar um “amarelinho”.
Era o Sérgio, um travesti que ela conhecia
e a quem vendera muitas pedras de crack.

Suas feições estavam diferentes,
inclusive o cabelo. Tinha uma Bíblia debaixo
do braço. Sílvia começou a pensar em outra direção:
— Se o Sergio mudou, eu posso mudar também.

Será que tem esperança para mim?

Fernanda não tinha desistido dela.
Num dos encontros em pé pela rua, descreveu a casa
onde Sílvia ficaria, se aceitasse.
Disse que lá havia um sofá rosa.

As resistências foram diminuindo,
até que Sílvia aceitou o convite.
As mudanças na sua vida, então, começaram,
de dentro para fora e de fora para dentro.

Voltou a estudar. Terminou o ensino médio
e entrou para um curso de teologia, tendo
o hebraico como sua matéria predileta.

Seu objetivo era se preparar para ajudar outras
pessoas como ela a viverem de novo, com esperança,
esperança que, segundo suas palavras,
ela não tinha e passou a ter.

Israel B. Azevedo

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