O TAPETINHO VERMELHO

Postado em 30-09-16

Uma pobre mulher morava em uma humilde
casa com sua neta, que estava muito doente.

Como não tinha dinheiro para levá-la
a um médico e, vendo que, apesar de seus
muitos cuidados, a pobre menina piorava a
cada dia, com muita dor no coração, resolveu
deixá-la sozinha e ir a pé até a cidade mais
próxima, em busca de ajuda.

No único hospital público da região,
foi-lhe dito que os médicos não poderiam
se deslocar até sua casa; ela teria que trazer
a menina para ser examinada.

Desesperada, por saber que sua neta
não conseguiria sequer levantar-se da cama,
ao passar em frente a uma igreja resolveu entrar.
Algumas senhoras estavam ajoelhadas
fazendo suas orações. Ela também se ajoelhou.

Ouviu as orações daquelas mulheres
e quando teve oportunidade, também
levantou sua voz e disse:

“Olá, Deus, sou eu, a Maria.
Olha, a minha neta está muito doente.
Eu gostaria que o Senhor fosse lá curá-la.
Por favor. Anote aí, Deus, o endereço. ”

As demais senhoras estranharam o jeito
daquela oração, mas continuaram ouvindo.

“É muito fácil, é só o Senhor seguir o
caminho das pedras e, quando passar o rio
com a ponte, o Senhor entra na segunda
estradinha de barro. Passa a vendinha.
A minha casa é o último barraquinho
daquela ruazinha. ”

As senhoras que tudo acompanhavam
esforçavam-se para não rir.

Ela continuou: “Olha Deus, a porta
está trancada, mas a chave fica embaixo
do tapetinho vermelho na entrada.
Por favor, Senhor, cure a minha netinha.
Obrigado. ”

E quando todas achavam que já tinha
acabado, ela complementou:
“Ah! Senhor, por favor, não se esqueça
de colocar a chave de novo embaixo
do tapetinho vermelho, senão eu não
consigo entrar em casa.
Muito obrigado, obrigado mesmo. ”

Depois que a Dona Maria foi embora,
as demais senhoras soltaram o riso
e ficaram comentando como é triste
descobrir que as pessoas não sabem
nem orar.

Mas, Dona Maria, ao chegar em casa
não pode se conter de tanta alegria,
ao ver a menina sentada no chão,
brincando com suas bonecas.

“Menina, você já está de pé?!?”

E a menina, olhando carinhosamente
para a avó, disse:
“Um médico esteve aqui, vovó.
Deu-me um beijo na testa
e disse que eu ia ficar boa.

E eu fiquei boa. Ele era tão bonito, vó!
Sua roupa era tão branquinha que
parecia até que brilhava.

Ah, ele mandou lhe dizer que foi fácil
achar a nossa casa
e que ele ia deixar a chave debaixo
do tapetinho vermelho,
do jeitinho que você pediu”.

“Deus não quer palavras bonitas,
Ele quer palavras sinceras”.

“Vosso Pai sabe o que lhes é necessário,
antes de vós pedirdes”.

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